Maior coleção de plantas frutíferas 1.400 espécies em um pomar

O pomar de Helton Josué Teodoro Muniz

Brasileiro autodidata cria a maior coleção de frutas do mundo em pomar

A Maior coleção de plantas frutíferas do país, recorde registrado pelo RankBrasil em 2015, pertence a Helton Josué Teodoro Muniz. No sítio Frutas Raras, localizado em Campina do Monte Alegre (SP), ele cultiva 1.400 espécies agrupadas em quase 100 famílias botânicas.

Brasileiro autodidata cria a maior coleção de frutas do mundo em pomar
No jardim do Helton existem mais de 1.400 espécies. O material que é retirado do pomar dele segue para pesquisas em várias universidades.

Helton Josué Teodoro Muniz

Helton, que só estudou até a oitava série. Helton deixou a escola para se dedicar ao cultivo de um pomar nada convencional. Hoje o frutólogo vive da venda de mudas e ainda ajuda a família. Tem mais de 1.400 espécies de frutas e mais de mil são nativas do Brasil.

Apesar de serem frutas nativas, não é possível encontrá-las nas feiras ou supermercados. O material que é retirado do pomar segue para pesquisas em várias universidades. Uma coisa os pesquisadores já descobriram: as frutas vermelhas brasileiras têm mais antioxidantes do que as importadas. Uma das nossas vermelhas nativas é o muricí vermelho. Ele tem atividade antioxidante superior ao morango.

Segundo o recordista, 80% são originárias do Brasil, entre elas 600 da mata atlântica. “Outras 300 são exóticas e vindas de outros países, como a Jaca, do sudeste Asiático; o saboroso Mamey – fruta sagrada dos maias oriunda do México; e a Amarula, nativa da África do Sul e proibida para quem vai dirigir pelo alto teor alcoólico”, conta.

Além de colecionar, Helton estuda a identificação botânica de cada espécie, desenvolvendo métodos de cultivo desde a semeadura até a colheita, ecologia e utilizações. No seu pomar, não utiliza agrotóxicos. “Quanto mais biodiversidade menos praga existe porque ocorre um controle biológico natural”.

Nascido em Piracicaba (SP), começou a se interessar pelas plantas aos 15 anos. “O nome Saputá (produz frutos amarelos e adocicados do tamanho de um limão galego) despertou minha curiosidade. Consultei o dicionário, verifiquei que o nome era válido e percebi muitos outros nomes de frutas desconhecidos. Assim passei a me empenhar na busca dessas espécies silvestres”.

Apesar de não ter curso superior, por suas pesquisas, o colecionador abriu no mercado uma nova profissão que ele mesmo define como frutólogo. “É um ramo da Botânica assim como ornitólogo (quem estuda os pássaros) é um ramo da Zoologia”, diz.

Com o objetivo de transmitir parte do aprendizado, o paulista lançou em 2008 o livro ‘Colecionando Frutas – volume 1’, abordando 100 espécies com informações completas de cada uma. O recordista já possui outro volume para publicar e busca patrocínio. Também ministra palestras sobre o tema com dicas, orientações e apresentação de plantas desconhecidas.

O retardo neuromotor (atraso de parto), que afetou um pouco o equilíbrio e a fala, além da diabetes tipo I, não são impedimentos para Helton, atualmente com 35 anos, realizar sonhos: “Acredito ter um dom dado por Deus, e quando a gente recebe um presente valioso desse, é necessário ser trabalhado e usado da melhor forma possível. Por isso procuro ser sempre positivo e abrir novos caminhos como um desbravador”.

De acordo com o colecionador, o reconhecimento do RankBrasil vai fazer com que muitas pessoas comecem a ver a flora brasileira com outros olhos. “O meu exemplo pode ajudar o Brasil a se tornar o produtor da maior biodiversidade de frutas comestíveis do mundo, quebrando o círculo vicioso do agronegócio da restrita monocultura e abrindo fronteira para o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar”, destaca.

Projeto colecionando frutas

As frutas fazem parte do segundo grupo da pirâmide alimentar. Conforme o paulista, quanto mais diversificada for a dieta com esses alimentos, mais vitaminas e substâncias medicinais e reparadoras de nosso corpo são ingeridas, contribuindo para maior longevidade e melhor qualidade de vida.

O colecionador diz não existir somente banana, laranja, melancia, entre outras comuns, mas no Brasil ocorrem mais de duas mil espécies comestíveis. “Elas estão desaparecendo por causa do desmatamento e o monopólio das culturas convencionais: é preciso resgatá-las do pouco de matas que ainda restam”.

Segundo Helton é preciso cultivar para provar outros sabores e nutrientes. “Devemos plantar em todos os lugares possíveis, entre chácaras, sítios, condomínios, praças, escolas e até em vasos no fundo do quintal”, ressalta. Ele lembra a falta de informações sobre o assunto quando começou a coleção, por isso disponibiliza dicas gratuitas no www.colecionandofrutas.org . O recordista também vende mudas de frutas raras, fonte financeira responsável por custear o projeto.

Redação: Fátima Pires
Fonte: RankBrasil

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